Estamos no começo de algo muito bom…

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A minha vida anda conforme a música, e isso é literalmente falando mesmo.

A grande maioria sabe que meu trabalho é 70% movido pela música e para a música, então essa frase é a que mais faz sentido para mim sempre. Outra grande maioria também sabe que trabalho com o NXZERO desde 2007 (oficialmente desde 2008) e praticamente tem sido essa a minha vida desde então. Claro que já fiz um monte de trabalhos paralelos – com bandas ou não – mas o que me move mais sempre foram eles. Arrumo a minha agenda com a deles, altero minha correria conforme os shows deles pedem e etc.

Dito isso, fica claro que o que acontece com a banda, acontece comigo também… é tudo um link só. Se mudam algo, tenho que mudar também, se algo acontece com eles, indiretamente acontece comigo também e assim por diante. Estamos no mesmo barco e o destino é sempre o mesmo.

Mas enfim, o que eu vim contar aqui hoje é sobre uma fase que vivi no ano passado e que desde o dia 4 desse mês de março começou a ser divulgada no canal do youtube deles.

Era fevereiro de 2014 e eles tinham resolvido gravar um disco de uma maneira diferente. Já estavam esgotado daquela velha maneira de fazer as coisas, de ter prazos para entregar discos, músicas e enfim… precisavam se reinventar – em outras palavras. Escolheram uma casa pra alugar (a mesma onde tínhamos feito o clipe de “Hoje O Céu Abriu”) e decidiram que ali seria gravado o novo álbum, todo ao vivo. (obs: pra quem não sabe o que é gravar ao vivo, é quando todos os instrumentos tocam juntos e somente a voz é gravada separada depois. Normalmente os discos não são gravados assim, mas sim instrumento por instrumento, sem serem todos juntos tocando ao mesmo tempo).
No ar rolava um cheiro de mudança, de dificuldades pessoais misturada com uma vontade de fazer algo extremamente genuíno. Era um momento delicado onde estavam saindo da gravadora, e pela primeira vez, produzindo um disco sozinhos… enfim, era um mundo todo já vivido anteriormente porém sem a bagagem dos dias de hoje. Era realmente uma página virando e um capítulo novo começando.

Não me lembro exatamente quantos dias ficamos lá… sei que cheguei uns 2 ou 3 dias depois deles e já haviam quase que terminado uma música (se não me engano foi “Tira Onda”). Cheguei no dia 10 de fevereiro de 2014, e dia 11 eu completava meus 34 anos. Mais um aniversário passando ao lado deles – e com eles (vide capítulo 2 do documentário).

Foram dias produtivos e outros nem tanto, mas tenho certeza que foram essenciais para a banda se ajustar e colocar algumas coisas no lugar. Decisões foram tomadas, um rumo novo surgia e o mais importante: havia um brilho e uma esperança nova no olhar de cada um.

Só saíamos da casa para ir ao mar e às vezes jantar em algum lugar… e claro, quando havia algum show no final de semana também, mas já voltava direto para a casa novamente.

Todos os dias acordávamos, tomávamos um café e lá pelas 14h da tarde começavam a se reunir para entrar na sala e tocar alguma coisa… e gravar, obviamente. Tinha dias que tudo fluía bem, em outros nem tanto.
Esse período todo que fiquei por lá captei fotos e vídeos para documentar toda essa nova fase. Não tínhamos ideia do que faríamos com esse material, mas tínhamos a certeza de que documentar aquele momento era importante. Tá, não vou mentir, tínhamos algumas ideias mas todas sem nenhuma certeza, mesmo porque, nem a banda sabia mesmo onde tudo aquilo iria dar.

Os dias não pararam de passar e talvez o plano não tenha saído como estava no papel, mas saíram de lá com algumas músicas prontas para um disco novo… e direto para umas férias de uns 20 dias.
Passado esses dias, um disco que já estava bem encaminhado já não fazia mais muito sentido com as coisas novas que estavam na cabeça de cada um, ou seja, e agora?

Mais algum tempo foi dado para todas as ideias ocuparem seus devidos lugares e tudo mais, até que tempos depois, decidiram que esse material da casa da praia iria dar vida a um EP para deixar marcada essa fase de transição, e posterior a isso, construir um novo disco novamente já com essa nova base que estavam formando: novos rumos, novas ideias e novos ares literalmente.
Dito e feito, no fim de 2014 saiu o EP de nome gigante mas que faz todo jus ao momento, com o single de “Vamos Seguir” nas rádios.
O clipe do single, que também dirigi, foi um apanhado de sobras de outros clipes da banda com adição de imagens de estrada, shows e etc… um material inédito e que fazia bastante sentido para o teor da letra da música e do momento da banda. Lembro que levei meu computador para a casa do Lê (onde estavam diariamente ensaiando e compondo novas músicas para o novo disco) e praticamente morei lá durante uma semana pra finalizar esse clipe junto com todos. E no mesmo momento em que esse processo do clipe existia, estava eu também fechando a arte do EP em questão com eles… decidindo capa, dirigindo a arte toda e enfim, foi literalmente uma correria boa.

Como nem tudo nessa vida sai como a gente planeja, algumas coisas se atrapalharam. Burocracias e mais burocracias impediram de tudo sair antes, mas estávamos lá, fazendo tudo nós mesmos e sem precisar do OK de ninguém. Éramos só nós e nós mesmos.

Creio que esses 3 episódios divulgados no youtube deles seja um resumo bem amarrado do que foi essa época e o que tudo aquilo representou. Talvez represente mais para mim e para a banda do que pra qualquer outra pessoa, mas acredito que dê para sentir mais ou menos isso tudo – mesmo olhando de fora.
A maestria em decupar todo o material e colocar uma ordem nisso tudo ficou por conta do grande amigo Otavio Sousa, que na maior paciência do mundo, assistiu todos os gigabytes de material e juntou todo o quebra-cabeça. Bendita foi a hora que eu estava todo ocupado com a arte do EP e com o clipe de “Vamos Seguir”, pois foi nesse turbilhão de afazeres que o nome dele foi cogitado para trabalhar nesse projeto, e pra mim, foi quem salvou isso tudo – senão iria demorar muito mais pra sair.

Passado tudo isso, acredito que agora eu posso dizer que essa fase foi talvez uma das mais importantes para a banda – e pra mim também, pois paralelo a isso aconteceram coisas que tive que optar e acredito eu que optei pelo caminho certo. Não vem aqui ao caso, mas sim… tive insônias e mais insônias para lutar contra…

Agora, respirando um pouco melhor e mais fundo, posso dizer que as coisas de lá pra cá tem se acertado, e o que eu posso dizer é que se por algum momento alguém achou que tudo acabou, posso garantir que está bem enganado. Tudo ainda vive e está a milhão, mas dessa vez estamos tentando subir o morro sem precisar parar para respirar.
Quem estiver ao lado vai ter que correr pra tentar acompanhar… e eu espero mesmo que ainda sejam muitos os que aguentam o tranco. Aguardem!

Documentário: “Estamos no começo de algo muito bom, não precisa ter nome não”

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6 comentários sobre “Estamos no começo de algo muito bom…

  1. Muito bom! Tens a mesma maestria na escrita e na fotografia!Grande Cesinha, Sempre descrevendo com uma sensibilidade ímpar! Parabéns pelo trabalho e pelo blog!

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  2. Cesinha, já te disse mais de uma vez o quanto o seu trabalho foi importante pra mim, para eu me encontrar como profissional, e não poderia ter dado mais certo. Devo isso a você e aos meninos, e é de uma felicidade sem tamanho ver o quanto vocês ainda se dão bem, o quanto essa amizade de vocês só produz bons frutos. Quero sempre fazer parte do que vocês produzem, mesmo que de longe, mesmo que assistindo. Parabéns, o trabalho ficou ótimo, intimista, novo, adorei.
    Abraços.

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  3. Cesinha, maravilhoso o texto. Incrível como conseguiram passar todo esse sentimento e acontecimentos pelo DOC. Assisti e tive essa sensação. Realmente, era o começo de algo muito bom. Com os rumores de que a banda iria acabar, vir esse EP, ver que a banda tá se reinventando pra continuar com isso tudo, é MUITO gratificante para os fãs. Meu orgulho de ser fã só aumenta. Tão bom isso, porque assim como vocês fazem o material por vocês, nós também precisamos. Também queremos vocês felizes, motivados e satisfeitos. A vida segue e os ares mudam, tão importante a banda ir se reformulando e a gente tendo o prazer de acompanhar. Fico muito feliz por vocês todos. Gosto muito, muito de todos e de tudo.

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  4. Incrível a capacidade que você e todos do Nx tem para se reinventar a cada momento.É estimulante e inspirador acompanhar o trabalho de vocês.Outro aspecto que me faz gostar,admirar e acompanhar a banda e o seu trabalho é o fato de que vocês não se escondem em personificações de carácter,não se moldam a cada nova moda do mercado,mas sim se mostram cada dia mais humanos com aquela necessidade de mostrar suas pretensões,suas preferências e até mesmo suas imperfeições. Por isso e tantos outros pontos que fico por aqui cheia de gratidão por vê-los novamente disponibilizando um belíssimo trabalho para nós admiradores e certa de que valeu e sempre valerá a pena ser dessa grande”família” fã de Nx zero e fã de César Ovalle. Abraço e Obrigada!

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  5. Maravilhoso o texto! Belas palavras. Espero que esse sonho se mantenha sempre vivo. Sempre com o NX ZERO estarei. Parabéns pelo trabalho incrível.

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