Uma foto, uma capa e muita história pra contar

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Quando a gente ouve falar que a vida dá voltas, a gente nunca imagina que ela realmente vai dar tantas, né? Claro que em alguns casos ela até para de girar, mas em outros as coisas chegam num ponto em que você jamais imaginaria que fosse chegar.

A minha história com o Charlie Brown Jr. / Chorão foi uma dessas que eu jamais imaginaria que iria terminar como terminou.

Tudo começou no ano de 1997 quando eu, no auge dos meus 17 anos (morando em São José dos Campos/SP), me deparo com um clipe na MTV de uma banda chamada Charlie Brown Jr. A música que tocava? “O Coro Vai Comê!”. Nessa época eu andava de skate todos os dias, ouvia música sem parar… A safra de bandas nacionais de rock até que era bem boa – já rolava o Planet Hemp, os Raimundos – e ver mais uma banda realmente interessante surgindo e colocando o skate na roda era muito bem-vindo. Impressionou.

Dias depois já tentei saber mais sobre a banda, mas digamos que em 1997 a internet era muito devagar, então só sobravam as revistas especializadas e lojas que vendiam CD. As lojas de São José dos Campos nem imaginavam que existiam uma banda chamada Charlie Brown Jr. Cheguei a entrar em várias para pedir o CD e em algumas até riram da minha cara – talvez o nome soasse estranho demais mesmo.

Enfim… o som começou a rolar na 89FM (A Rádio Rock de SP) também e nada do CD chegar pela minha cidade. Tudo o que eu consegui fazer foi gravar o clipe na MTV em VHS e ficar assistindo sempre que dava. Uma outra maneira que encontrei foi ligar o rádio no meu computador e quando tocou a música na 89FM eu gravei com o gravador do windows e pronto, lá estava eu com um arquivo WAVE pirata mas que sustentava a vontade de ouvir a música quando tinha vontade.

As semanas foram passando e nada de conseguir o CD, até que meu primo estava indo pra São Paulo visitar a família e eu pedi pra ele dar uma procurada no CD. Para a minha alegria, um dia depois estava ele de volta e com a encomenda em mãos. Aleluia!

Sendo sincero, não gostei do CD logo de cara. A preferida era “O Coro Vai Comê!” e só. Com o tempo fui me acostumando e entendendo melhor aquilo tudo. Um tempo depois já estava com todas as músicas decoradas e era o CD que não saía do repeat no discman (Vale lembrar que estamos no ano de 1997, um ano sem internet bem propagada e/ou rápida, um outro mundo bem diferente dos dias de hoje. Um ano em que o discman existia, comia pilhas adoidado e para chegar qualquer informação sobre algum acontecimento, demorava (a não ser que fosse pela TV ou rádio).

Alguns meses se passaram e todos os amigos já estavam gostando também, já conheciam melhor a banda – depois também de algumas boas aparições na MTV e afins. E eis que surge um show numa cidade vizinha (Taubaté/SP) da tour do “Transpiração Contínua e Prolongada”… era a primeira oportunidade para ver aquilo de perto e ao vivo. Lembro que fui com meu irmão e uns amigos nossos.

O show foi muito bom, lembro de estar bem na frente do palco – e naquela época eu era bem retardado diga-se de passagem. Retardado no sentido de sem noção. Moleque magrelo, cabelo descolorido, camiseta 9 números maior que o tamanho certo, calça idem e afins. Quem viveu essa época sabe como era a vestimenta de uma pessoa que andava de skate haha.

Enfim… no fim do show, com a palheta do Thiago em mãos e tudo mais, não sei porque cargas d’água a gente foi pra porta ali de onde tinha o acesso pro camarim… e não sei também porque e nem como a gente conseguiu entrar. Lembro que era eu, meu irmão e mais uns 3 ou 4 amigos.

Dentro do camarim foi o primeiro contato com a banda… Lembro que o Chorão que nos recebeu, cumprimentou como se já fôssemos amigos de longa data. Todos da banda foram muito atenciosos, ofereceram o que tinha no camarim e pediram pra gente ficar por lá “à vontade”. A entrada de fãs ia se revezando mas em nenhum momento alguém pediu pra gente sair… Não sei o que levou eles a deixarem a gente “fixo” por lá trocando ideia. Eu estava sentado num sofá do lado do Chorão, os fãs entrando e saindo e pedindo autógrafo e tudo mais, chegaram até a pedir pra mim (aquele tipo de fã que nem sabe quem é da banda e quem não é)… Olhei pro Chorão e ele só com o gestos sinalizou para que eu assinasse. Assinei, agradeci e fiz o papel de “membro da banda”. Ele riu, obviamente.

Ficamos por lá o tempo todo, até acabar todo o atendimento e a gente ter que sair também – mesmo porque estávamos em outra cidade e tínhamos que voltar pra nossa. Despedidas, agradecimentos e saí de lá com a alma lavada e com a melhor impressão possível daquela banda de Santos.

Os anos se passaram, os discos foram vindo e fui gostando bastante de tudo o que eu ouvia. A partir do quarto disco dei uma desencanada e não escutava mais com tanta frequência. Escutava os antigos, mas não me importava muito com os mais recentes.

Dez anos se passaram (2007/2008) e eu já estava na estrada trabalhando com o NXZERO, e por isso, acabei encontrando várias vezes o Charlie Brown Jr. em festivais, aeroportos, aviões e afins… Assisti alguns shows do palco mas nunca fui lá trocar ideia e encher o saco. Para mim o lance já tinha acontecido, não precisava mais ficar ali falando groselha. Respeitava a banda e admirava a forma como o Chorão conseguia conduzir o público. Alguns (vários) shows eles entravam e ninguém se mexia… e três ou quatro músicas depois o cara já estava com todo mundo na mão, todos pulando e participando como se fizessem parte da banda. Era realmente um frontman de verdade.

Foram algumas vezes observando isso acontecer. De lá pra cá rolou muita polêmica também envolvendo a banda, trocas de formação, enfim, o som inclusive já não era muito o que eu escutava – apesar de gostar.

Chegamos no ano de 2010, o Charlie Brown Jr. com seu recém lançado CD “Camisa 10 (Joga bola até na chuva)” me impressionou. Havia tempos que não ouvia um disco deles e achava bom do início ao fim… e esse foi um deles. Lembro que nesse ano o NXZERO estava gravando o disco “Projeto Paralelo” e eu estava documentando toda a gravação dele para um possível DVD. Acompanhei o processo todo, diariamente. Todas as participações e tudo mais. Morava praticamente o dia todo dentro do estúdio captando imagens, depoimentos e tudo o que acontecia.

Houve um momento em que o nome do Chorão foi citado para participar de uma das músicas… e pelo o que eu me lembro estava já tudo acertado. Ele escolheu “Cedo ou Tarde”, talvez pela identificação com a perda do pai – creio eu que isso foi algo que ele nunca conseguiu superar. Para mim seria um momento especial poder gravar o cara ali – e relembrar coisas de 13 anos atrás.

Chegou o dia dele colocar as vozes na música, mas o cara não apareceu. Ficou para o dia seguinte. Lá estava eu novamente e ele não apareceu de novo. Lembro que a data final era no outro dia e, se ele não aparecesse, não ia rolar mais o Chorão na música… e eis que aos 45 do segundo tempo o cara aparece lá no estúdio… pedindo desculpas, falando que tava enrolado com coisas de um próximo filme e tal (será?).

A intimidade que ele já tinha com o Rick Bonadio e com o NXZERO era grande, pois querendo ou não, ele acompanhou a banda crescendo e tudo mais. Era nítida a vontade dele participar daquele projeto e estar ali sem fazer nenhum esforço (ele mesmo deu esse depoimento em um dos takes que tenho – e que se não me engano estão no DVD Projeto Paralelo do NXZERO). Estar ali ao lado do cara dentro do aquário do estúdio, registrando todas as vozes já foi algo bem louco de pensar. Lembrar que há 13 anos eu tava vendo aquele cara em clipe e eu me interessando pela banda dele… e agora to eu ali dividindo a mesma sala, registrando o cara gravando e enfim… o mundo deu uma baita volta.

As gravações foram feitas, uma entrevista também e muita conversa foi trocada nesse dia. Depois de tudo pronto, o cara ainda ficou lá, falando de tudo… da vida, dos perrengues, dos problemas causados… dando toque disso, daquilo e de tudo um pouco. Realmente o cara tava ali apenas porque queria, porque tudo já tinha sido feito e se ele quisesse ter ido embora, estaria ok.

No meio desse emaranhado de coisas, aconteceu o clique dessa foto que sem querer foi parar na capa da Rolling Stone #79 (Ah! se eu soubesse que um dia ela poderia virar uma capa). Lembro que foram apenas dois cliques, duas poses e nada mais. Lidar com o Chorão não era uma coisa fácil de se fazer, então quanto menos eu enchesse o saco, melhor. No fim da entrevista expliquei que precisava de uma foto dele meio que de frente para poder mandar pro cara “desenhar” o rosto dele para o encarte do disco/dvd e etc. Lembro que ele reclamou com algo do tipo “sou ruim de foto, não saio bem em nenhuma” ou coisa que o valha. Já vi na hora que se o cara não gostava, era melhor não exagerar. Encaminhei ele pro lugar em que eu fiz todas as outras fotos desse projeto, arrumei a luz, expliquei em 10 segundos o que eu queriam, como seria e pronto. Foram dois cliques e duas poses. Uma é essa que vocês já viram tanto no CD/DVD quanto na capa da revista… a outra é inédita e vai continuar sendo, pelo visto.

Me lembro de ter chegado em casa e parado pra pensar em tudo o que tinha rolado naquele dia… que nesses 13 últimos anos a minha vida tinha dado uma volta das grandes. Eu tava ali tirando foto de gente que sempre ouvi e vi… foi Rappin’Hood, Xis, Gabriel O Pensador, Chorão, P.M.C… foi uma sensação louca e bem complexa de descrever.

Alguns amigos mais próximos se lembram dessa minha divagação, pois cheguei a compartilhar o que estava rolando com um ou outro… mas ok, passou. Alguns outros bons anos se foram e tudo continuou como era antes… só que de lá pra cá eu comecei a gostar novamente das coisas que o Charlie Brown Jr. estava lançando. Céu Azul, quando escutei, foi repeat pra sempre. Não sei quantas vezes ouvi essa música até hoje, mas ela é uma música muito forte pra mim. Talvez eu não consiga explicar isso aqui, talvez eu nem deva… mas enfim… continuamos com o relato.

No dia 6 de março sou acordado pela minha namorada, e em um ou dois  minutos depois que abri os olhos, ela me lança a notícia de que o Chorão tinha morrido. Obviamente não entendi e perguntei “Como assim?”. Depois de ter percebido que aquilo não era uma brincadeira de mau gosto, entrei razoalvemente em um estado estranho de “choque”. Não sentia algo assim desde seilá… Mamonas Assassinas? Algo assim. Foi estranho, foi bizarro, foi difícil de engolir.

Eu não era o melhor amigo do cara, ele nunca foi um puta exemplo de vida pra mim e nem nada, mas eu realmente me identificava com o som dele, com muitas coisas que ele dizia e ou até mesmo fazia… e porra, perder um cara desse nessa época em que o rock nacional tá mais carente que seilá-o-quê foi de foder. Foi uma sensação ímpar, um filme rolou na minha cabeça nesse momento… me lembrei de tudo isso que estou escrevendo aqui… da vez que vi pela primeira vez o clipe, como foi o perrengue pra conseguir o primeiro disco, o lance do primeiro show, enfim, tudo… até chegar nesse dia em que consegui fazer um retrato do rosto dele e, por incrível que pareça, todas as vezes que eu via o nome dele ou alguém o citava pra mim, a imagem que eu tinha dele era dessa foto.

Minutos depois comecei a me deparar com muitas fotos dele em todos os perfis de Instagram que sigo, todos amigos no twitter comentando sobre o acontecido, fotos e mais fotos pelo Facebook. Foi um dia improdutivo pra mim, não consegui trabalhar, não consegui atender o telefone (a não ser dos amigos mais próximos) e nem nada. Não sei descrever o que houve, não sou de me abalar assim, mas algo existia no ar.

Por um pedido pessoal de pessoas próximas, fui resgatar esse material em algum HD estocado aqui em casa. Procurei, procurei e obviamente estava no único HD que não funcionava no meu computador. Consegui dar um jeito e acessei os dados dele em outro e estava tudo lá. Achei essas fotos, alguns vídeos e até uma outra foto em que o mesmo se encontrava com a cabeça baixa debruçado sobre o braço estampado com  a tatuagem “Marginal Alado”. Talvez essa foto não tivesse tido tanto sentido até esse dia… e foi ela a primeira que eu abri – foi outra porrada no estômago.

Depois de muito tentar refletir sobre tudo, tentei escrever algumas palavras sobre o fato no meu Facebook, e a foto que estava ilustrando isso tudo não poderia ser outra a não ser aquela que já estava divulgada no meu site: a mesma que foi usada como base para o desenho do CD/DVD Projeto Paralelo.

Resolvi que as fotos inéditas que eu tinha, eu iria preservar. Não achei que fosse uma coisa legal divulgar algo inédito só porque o cara morreu. Achei que não cabia.

Feita a homenagem, fui tentando engolir essa história toda aos poucos.

Todos os dias eu pensava nessas fotos… umas cenas acabaram passando no Altas Horas quando o NXZERO foi e fez uma homenagem ao Chorão… outras quase foram parar no Fantástico, mas por algum motivo que desconheço, não foram.

Algum tempo depois recebo um e-mail da Rolling Stone dizendo que tinham visto esse meu retrato dele e que gostariam de tê-lo para compor a capa da próxima edição da revista… e aí pensei comigo: “Eita, mal tive foto publicada na revista e já vou parar com uma na capa? Porra, Chorão!“.

Tentei que fosse alguma inédita, mas no fim das contas acabou sendo a já “conhecida” foto. Talvez o momento não seja feliz e, se eu pudesse escolher em não ter a foto da capa e ter o cara vivo, eu escolheria isso sem dúvida nenhuma… mas como na vida a gente não manda muito e alguma foto teria que estar estampando a capa da revista, fiquei lisonjeado por ter sido uma minha. Sei o valor que a foto tem pra mim, sei que tive que fazê-la em apenas um clique e sei que se ela não estivesse “dizendo” algo, ela não seria escolhida para isso.

Agora eu paro novamente pra pensar em tudo o que aconteceu nos últimos 16 anos… de 1997 até 2013 e vejo que o mundo não deu só uma volta, deu várias. As perguntas geralmente são essas: Você acha que em 1997 eu imaginaria que aquele cara iria morrer de overdose? Que eu ia conhecê-lo algum dia? Que um dia eu iria virar fotógrafo e tirar uma foto do cara? Que eu iria fazer uma entrevista com ele e documentar tudo para um DVD? Que um dia a Rolling Stone ia ter uma edição nacional e que eu teria uma foto que fiz na capa… e além do mais, daquele cara daquela banda que eu gostava?

Talvez isso não soe tão bizarro pra você que lê, talvez eu não consiga realmente expressar qual é a sensação dessa volta toda, mas uma coisa eu tenho quase certeza em afirmar: as coisas acontecem quando tem que acontecer… seja onde for e como for. As vezes eu tenho a certeza de que aquele primeiro encontro que parecia ser o nonagésimo de bons amigos já dizia tudo isso… mas nós como seres humanos meros mortais não conseguimos enxergar isso de maneira nítida… precisamos de bons anos e muitos fatos pra que tudo faça um sentido.

Seja lá onde quer que o cara esteja, sei que ele acompanhou tudo isso de perto… e de uma maneira ou outra viu tudo isso acontecer.

O que tudo isso me ensinou? Me ensinou que qualquer que seja o clique que você for dar… importante ou não, pra uma capa ou não, de alguém importante ou não… faça como se fosse o teu último clique – e execute da melhor maneira possível no momento. Essa foto um dia pode valer muito mais (sentimentalmente falando) do que você imagina.

A minha tá ali, enquadrada e pendurada numa parede da minha sala, marcando um ponto da minha vida que jamais vou esquecer.

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9 comentários sobre “Uma foto, uma capa e muita história pra contar

  1. Porra cara, o lance da VHS eu fazia isso com os clipes do DISK MTV e me achava retardado, percebi que não era só eu que fazia isso no mundo! haha Agora o estilo GANGSTA skatista anos 80 eu reconheço haha! Roupa larga e coisarada, cara texto taafudê, parabens pelo trampo!

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  2. Eu nunca tive metade do contato que você teve com o Chorão, mas pô, quem não o conhecia? Quem nunca ouviu se quer uma música do Charlie Brown Jr? As letras que ele escrevia e do jeito que ele a passava tocava à todos de algum jeito, algum sentimento era despertado. Fiquei em choque também, eu poderia imaginar que qualquer outra pessoa do meio musical morresse, mas não ele. O por que? eu também não sei. Mas era algo fora de cogitação, pelo menos tão cedo.
    Estou ingressando na fotografia, e as primeiras fotos profissionais que eu conheci foram as suas.
    Parabéns pelo seu trabalho e esse retrato do Chorão carrega uma história incrível, e assim que deve ser. Acredito que cada foto tem que significar algo para o fotógrafo e foi isso que você passou através dessas palavras.

    Beijos Cesinha!!!

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  3. Sou de SJC tbm, nasci no ano que você conheceu o meu ídolo. O dia da morte dele foi o pior momento que já vivi. Chorei lendo isto que você escreveu e sei como você sentiu no dia seis, como se uma parte da sua história tivesse morrido junto. O marginal alado sempre será lembrado, seja por adultos que passaram a adolescência com ele ou com adolescentes como eu que aprenderam a amá-lo graças a influência de outro alguém. Obrigada por compartilhar esse sentimentos e tbm de demonstrar o quanto o mundo da voltas e os nossos sonhos podem acabar acorrendo, mesmo que seja em um futuro muito distante.

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  4. Não sei o que comentar na real…. Mas amei o que acabei de ler. Varias sensações que você descreveu eu também tive.. pois também amava o som e a poesia do cara. Não tive o privilegio de conhecê lo, mas não deixa de ser triste :'( Parabéns pelo seu ótimo trabalho , é impressionante como uma foto pode carregar uma puta Historia, Abraço Cesinha !

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