Fora do lugar

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Já foi o tempo em que a gente podia em um blog colocar toda a opinião do mundo. Relatar fatos como diários e tudo mais. A “audiência” era bem restrita, as pessoas geralmente todas amigas e enfim… era talvez algo mais saudável.
Hoje em dia você ainda pode tudo isso, mas com certeza será julgado por esse ou por aquele, vai ter outros que vão copiar teu texto e publicá-los como se fossem eles os donos, o teu controle de quem tem acesso é meio que perdido e enfim, é um tiro no escuro – literalmente.
Ainda não consegui ter uma ideia melhor se isso tudo é bom ou ruim, mas tenho que admitir que eu mesmo não consigo mais escrever sobre tudo aquilo que um dia eu conseguia. Talvez eu não queira realmente me expor… talvez eu prefira colocar o meu trabalho na frente da minha opinião pessoal sobre cada fato… mas, de fato, seria muito interessante um dia poder contar tudo o que eu passo por essa vida.

Faz um tempo que comprei um caderno, e nesse caderno anoto algumas coisas sobre o meu dia a dia… (mais da vida profissional do que pessoal). Quem sabe um dia esse caderno me inspire em alguma coisa (mas vale lembrar que eu ainda não escrevi uma palavra nele, estão todas na cabeça esperando serem esquecidas). Tem coisas que seriam realmente sensacionais poder compartilhar – mas creio que não em um site na internet.
Hoje penso que escrever um livro, por mais que a distribuição seja nacional, talvez o alcance seja menor do que publicar o texto em um blog… e por incrível que pareça, isso acaba se tornando algo muito mais pessoal.
Pela minha ideia, se hoje eu lançar um livro e divulgar nas mídias sociais, muita gente vai saber da existência, mas 3 ou 4 é que vão de fato comprar e LER (comprar é uma coisa, comprar e ler é outra). Já se eu divulgo uma página com um texto, 100 ou 200 clicam e vão ler – talvez por não terem o que fazer. Enfim, é meio bizarro.
Antigamente você ter um livro publicado, ter uma matéria numa revista, era algo máximo do máximo… hoje a internet consegue cobrir bastante essa façanha (em questão de números). Talvez precise de um estudo maior analisando que as áreas atingidas sejam diferentes… ou seja, se eu divulgar meu blog, os acessos vão ser sempre das mesmas pessoas – raros alguns. Já se publicar um livro, posso contar com a sorte de atingir pessoas curiosas que viram a capa e se interessaram pelo conteúdo… pessoas que jamais iriam procurar meu nome na internet (mesmo porque nem sabem da minha existência).

Chegamos numa era em que muitos prezam somente pela quantidade… e poucos pensam no bom e velho ditado: “quantidade não é qualidade”.
Convivo com esses números diariamente, seja pelos acessos ao meu site, pelos seguidores do twitter, pelos números de curtições na minha fanpage, pelos números de assinantes do meu perfil no facebook, seguidores no instagram e etc… Chega a ser vergonhoso me deparar com alguns números altos, mas enxergar que nem 5% é de gente que realmente está interessado no que você faz e fala. Mas aí vem a pergunta: E os outros 95%, estão ali por quê? Boa pergunta… eu não faço a menor ideia!
São pessoas que estão ali por estar, por curiosidade apenas ou simplesmente pra tentar tirar alguma informação pra si própria… mas ela não está interessada realmente em você, mas sim em algum conteúdo que ela tem interesse e que sabe que você pode prover.
A cada passo tudo fica mais impessoal. A foto na rede social de fotos instantâneas não interessa, o que interessa é o aplicativo que você usou para captá-la. O teu material produzido com carinho e esforço não interessa, mas sim aquela piada infame que você digitou por estar num momento de ócio. Aquele projeto que precisa de ajuda pra se tornar algo maior ninguém quer passar pra frente, mas aquela mentira de que o mundo vai acabar se prolifera a cada segundo… (e nem só essa mentira, mas umas outras mais ridículas ainda).

Ao meu ver está tudo ficando cada vez mais louco. A velocidade da informação ao invés de melhorar tudo, só piorou quase que tudo. Na real ela é muito útil, mas me parece que ninguém soube lidar com ela, fazendo assim, mal uso da ferramenta. O mundo fica ao mesmo tempo mais rápido e mais dependente… vulgo com mais informação mas ao mesmo tempo mais burro.
As datas não são mais decoradas, muito menos os telefones. Tudo é baseado em sites de busca e aparelhos digitais, fazendo assim com que a gente não trabalhe mais a própria cabeça pro nosso bem. Imagino eu se um dia toda a informação da rede de internet suma, onde vai parar a mentalidade de metade da população?
Vale lembrar que em nenhum momento me excluo disso tudo que estou escrevendo. Obviamente que entro em vários critérios (como o de não querer decorar mais nada e sempre querer ser um escravo do google)… mas… tento me policiar a cada dia – pelo menos um pouco.

É tanta informação, mas tanta, que eu mesmo comecei a escrever esse texto querendo uma coisa e estou terminando em outra… mas ta tudo certo, assim ele vai ficar.
Conclusão ele não vai ter… e por isso vou deixar ele aqui, largado nesse blog.
Deixo ele aqui porque aqui nada tem pé nem cabeça… e um texto desse não valeria a pena entrar em um livro (quer dizer, levando em consideração com a qualidade de alguns livros lançados ultimamente… quem sabe haha).

Esse é apenas um registro de alguém que pensa, se expressa mas não consegue mudar nem meia dúzia de outras pessoas. Mas se por algum acaso você for uma dessas meia dúzia de pessoas e começar a se policiar também de alguns atos babacas de autossabotagem, quem sabe a vida fique melhor pra você também.

Sou a favor sempre de compartilhar as coisas boas, de incentivar projetos de amigos, ajudar quando for possível, divulgar o que acho interessante… e simplesmente ignorar esse monte de bosta que divulgam como sendo “entretenimento” de internet. Tanta coisa boa sendo feita e produzida por aí (inclusive NO BRASIL)… de música a fotografia, de livros a videos, filmes e etc… e meio mundo aí compartilhando line up fake de festival, hoax de internet e outras baboseiras mais (enquanto que em apenas 1 clique do outro lado da história, teria acesso a mil coisas mais interessantes.) Na real as vezes até tem acesso, mas não passa pra frente porque pensa que os outros amigos vão achá-lo babaca demais.

Meio que “parafraseando” um canal de TV que se perdeu nesse caminho aí, termino essas linhas dizendo: “Saia desse blog e vá atrás de conteúdo bom – e compartilhe”. Obrigado.

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3 comentários sobre “Fora do lugar

  1. Infelizmente é a realidade brasileira Cesinha. Na minha turma mesmo tem pessoas que vivem de google, não usam o cérebro pra nada! Vivem de total plágio! Concordo com você literalmente! Abraços.

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  2. Realidade brasileira! e se bobia vira sobrenome do Brasil .=/
    Cesinha Acho que Nunca vou cansar de ler o q escreve e de ver o que fotografa… Por mais simples q seja, por mais que seja uma coisa que todos estão carecas de saber…Mas é tão lindo quando é você que demonstra. É lindo saber que existe pessoas q estão realmente preocupados com uma sociedade que não estão nem ai. Parabéns ii Bejinhos
    Ps!Campanha: Cesar Ovalle para Presidente…Para um mundo melhor e com uma pouco mais de cor TahParei…KKkKkk

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  3. Muito verdade o que escreveu agora, e realmente as pessoas não estão mais nem aí para ler qualquer coisa que passe de duas linhas, em qualquer publicação, as vezes mesmo curtem alguma coisa, mas na verdade nem elas sabem o que curtiram. Também penso do mesmo modo que você, porém como mesmo disse tento me policiar para não cair ainda mais nessas redes que são tão cheias, mas tão vazias de conteúdo. Gosto de escrever também, mas ultimamente inspiração é a única coisa que não estou achando nessa vida, tentando me encontrar ainda. rsrs. Bom assinei o seu perfil, por causa de suas fotos que são maravilhosas, gosto de coisas diferentes e por incrível que pareça eu também leio.. é a primeira vez que estou lendo seu blog, mas agora vou me tornar leitora. Então por favor não pare de escrever.

    =D

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