“Ao mestre com carinho”

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Ontem o centenário Niemeyer se foi. Sei que muitos se sentiram íntimos depois do falecimento e começaram a falar como se soubessem tudo da vida do cara, como se sempre tivessem acompanhado seu trabalho – ou de fato conhecesse bem sua história. Enfim, mas não é disso que quero falar… mas sim o quanto o cara me ajudou indiretamente nesse mundo da fotografia.

Não lembro como conheci o trabalho dele, talvez tenha sido na escola estudando sobre Brasília, talvez não… mas de fato suas obras sempre me intrigaram muito, sempre me deixaram meio perplexo pensando em como aquilo poderia sair da cabeça de alguém… e ao mesmo tempo eu me perguntava (e ainda pergunto): como é que só ele faz isso? ninguém mais consegue fazer? Não sei dar a resposta direito… talvez o francês Le Corbusier tenha sido sua grande influência, mas querendo ou não, creio que o vovô Oscar tinha traços mais impactantes – mas esse é só o meu ponto de vista e opinião, sem fundamento técnico nenhum.

Quem me conhece mais um pouco sabe que sempre fui fã de simetria, de curvas e linhas… e alguns mais próximos sabem bem que eu era um admirador nato das obras do mesmo. 
Sempre achei Brasília a cidade mais fotogênica de todas, sempre me perdi naquelas formas em todas as vezes que visitei a capital. O museu do “olho” em Curitiba foi durante 3 anos da minha vida o meu “quintal”. Eu ia lá quase toda semana e me deleitava em fotos e mais fotos… minha intenção era sempre o exercício de tirar uma foto diferente toda vez que eu fosse lá. Praticamente um treinamento intensivo de composição.
Todas as obras dele que conheço (mas não pessoalmente) estão na lista de “preciso visitar” – claro que deve ter muitas outras que nem sei que são dele, mesmo porque nunca fui um profundo conhecedor de arquitetura, mas sim um profundo admirador do que já vi por aí. 
O Copan é uma paixão platônica, aliás, mais uma vez, de todas as vezes que fui até o prédio, tentei retratá-lo de forma diferente. Até hoje ainda não consegui entrar em apartamentos e poder explorar alguns outros ângulos, mas visto de baixo, já fiz alguns bons retratos… inclusive, tenho uma dessas fotos enquadradas e esperando uma parede para habitar (ps: hoje na minha casa nenhum quadro ainda está pendurado… estão todos esperando sua vez. ps2: me mudei faz pouco tempo).
Aliás, antes de ontem mesmo realizei um sonho em fotografar uma banda no memorial da américa latina – outro complexo de obras do Niemeyer. Sempre tive essa vontade e nunca tinha conseguido… e logo quando consegui, no dia seguinte, o pai de tudo se foi. Coincidência ou não, só o cara lá de cima é que vai poder dizer – mas to sem o telefone dele no momento pra perguntar.

Enfim… o que eu queria deixar registrado aqui é que mesmo não sabendo da vida toda do grande Oscar, serei eternamente grato às suas linhas, formas e equilíbrios. Com certeza me ajudou (e vai me ajudar muito ainda) nessa vida fotográfica. Já treinei muito meu olhar perante suas obras e tenho certeza que elas ainda são capazes de me evoluirem muito mais. 
Não sei se um dia irei cansar de fotografá-los, tenho quase certeza que não, mas desde já queria deixar registrado o meu obrigado e meus parabéns por tudo que foi capaz de fazer. Tenho certeza que indiretamente ele ajudou muita gente a se desenvolver em suas artes/dons… mesmo porque acredito que essa história não seja só minha, mas sim de muitos outros fotógrafos, estudantes de arquitetura, engenheiros civis, decoradores, outros artistas e etc. 

A genialidade de um sempre será um combustível para o desenvolvimento de muitos outros… e com toda a certeza tem muito desse gás aqui dentro de mim.

Obrigado.

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3 comentários sobre ““Ao mestre com carinho”

  1. César, ótimo texto. Soube expressar de uma maneira simples tudo aquilo que a mídia não conseguiu dizer. Nada melhor do que um bom fotógrafo para retratar uma boa arquitetura. Nada melhor que “o” fotógrafo para retratar a melhor arquitetura. Keep it up com curvas, linhas e muito desconstrutivismo! =)

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  2. César, ficou incrível. Meus Parabéns por suas palavras e a pequena discografia que acabou se deixando escrever sobre o Oscar. Ele realmente foi e será por muitos séculos, o grande Arquiteto e exemplar homem das relativas obras tais sitadas em todos lugares.

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