O Cotidiano


Tenho uma certa mania de imaginar um pouco a vida das pessoas que eu nem sei quem são. Mas não, não é assim de qualquer pessoa… mas sim daquelas que você encontra por de trás de uma bancada na padaria ou no caixa da mesma… quem sabe aquela pessoa da sua frente na fila ou aquela que está almoçando na mesa de trás… enfim, o fato é escutar meia dúzia de palavras daquela pessoa e já começar a imaginar do que ela está falando, o porque está, com quem está, de onde veio… e mais um pouco.

Sei que não sou só eu que tenho essa mania e sei também que se eu guardasse todas as informações que eu escuto por aí daria pra escrever um livro, sendo que cada capítulo seria de uma pessoa diferente.
Chega a ser meio estranho esse ponto de que o ser humano tem interesse em saber da vida dos outros… mas digamos que também não seja lá um interesse muito grande, mas pelo o que eu vejo – e o que eu sinto – seria um interesse em conhecer o maior número de histórias possíveis. Talvez quem sabe pra usar ao meu favor, não sei.

Sou do tipo que anda pela rua prestando atenção em tudo, olho para todos os cantos, vejo o maior número de pessoas que posso, tento captar o maior número de informações que são dadas assim, a Deus dará. Bem que eu podia realmente escrever sobre tudo isso, cada dia uma história diferente, cada dia uma realidade, um mundo, uma visão completamente estranha de uma pessoa. Claro que eu iria errar um monte de suposição, mas ninguém pode negar que com uma boa análise algumas coisas poderiam bater certinhas.

Parando pra pensar nisso talvez dê pra entender um pouco essa minha fissura em registrar o cotidiano. Uma coisa com certeza deve levar a outra. Tenho um certo encantamento por histórias de vida, formas de se viver, pontos de vista e atitudes. Admiro muita gente em poucos segundos sem nem mesmo conhecer, e nos outros segundos já nem lembro mais direito aquilo que admirei. Talvez minha cabeça e meus sentimentos tenham ciclos menores onde se possa alcançar o auge em poucos segundos e muito facilmente… mas se bem que eu me conheço, e sei que ao mesmo tempo que pode ser fácil, pode ser a coisa mais impossível do mundo. Oito ou oitenta descreveria bem essa situação.

Na real eu não sei nem porque estou escrevendo sobre isso, apenas fiz mais uma vez aquilo que eu sempre faço: abro o blog e digito tudo o que me vem na cabeça. Algumas vezes saem coisas interessantes, outras vezes nem tanto… mas é assim que tudo funciona. Um dia teu time joga bem e no outro ele é praticamente um nada em campo… porque comigo também não seria assim?

Se bem que eu poderia contar aqui a última história que ouvi – e que me lembro na real. Eram duas pessoas de idade, sendo que uma era a mãe e a outra a filha. O celular da mãe tocava insistentemente na mesa ao lado mas ela não se encontrava pra atender… ela estava no buffet fazendo o seu prato pra almoçar. Depois de alguns minutos e algumas chamadas perdidas ela voltou pra mesa. Novamente o celular tocou e ela dessa vez não conseguiu atender. Gente de idade mexendo com tecnologia é sempre um pouco embaraçosa né? faz parte. Mas passaram alguns segundos e lá estava o celular novamente tocando. Atendeu. Era a cobrar. A mãe com o celular ainda no ouvido reclamou com a filha que a chamada era a cobrar, e a filha mandou ela atender. Era a empregada, dizendo que ia sair mais cedo e não tinha o dinheiro da condução. Nesse mesmo tempo de conversa, a filha pedindo pra mãe falar mais baixo, que não precisava gritar, mas eu já estava escutando tudo mesmo, que continuasse falando alto… e continuou. Pega emprestado do porteiro, vou ver se consigo falar com ele. Você já vai embora agora? Será que dá tempo de passarmos lá pra eu entregar o dinheiro dela? – A mãe perguntou para a filha. Dá, respondeu. Espera um pouco, mais ou menos uma meia hora que eu passo aí.
A filha, não entendendo muito, perguntou como que ela estava na casa da mãe ligando pra ela se o telefone que apareceu na bina não era o da casa dela? A mãe, que já teve dificuldade até pra atender o seu próprio celular, não entendeu o que é bina nem muito menos o que a filha estava deduzindo, ela no final das contas só queria terminar de almoçar e voltar pra casa pra salvar a coitada da empregada. Mas afinal de contas, pergunto eu, porque ela estava indo embora mais cedo? Ela não se explicou? E aí que começam as divagações de um maluco por histórias alheias. Poderia eu criar um mundo de “achismos” e teorias… e talvez a vida funcione assim mesmo, a base de criações dos outros… aí cabe você a acreditar ou ir atrás dos fatos reais. Mas pensando bem, quem sabe os fatos reais? Os pontos de vista são sempre diferentes, mesmo se duas pessoas verem a mesma cena, cada uma delas vai transcrever aquilo de uma forma diferente, vai interpretar diferente e assim vai.

A vida talvez seja um telefone sem-fio, daqueles que a gente brincava na escola… que sempre que tinha mais de 10 pessoas brincando, nunca dava certo. A palavra de início era solta como “amizade” e chegava no fim sendo “inimigo”.

E é assim que caminha a humanidade: com base em histórias.

(pra boi dormir)

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7 comentários sobre “O Cotidiano

  1. aa eu li tudo super interessante como tudo que vc escreve eu poderia ficar um dia inteiro lendo as coisas que vc escreve… ja falei que te admiro muito Cesinha parabéns por esse “dom” que vc tem

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  2. nossa cesinha, viajo nas coisas que vc escreve! tanto aqui quanto no fotolog,twitter e suas respostas no formspring.me! Adoro ler tudo, vc escreve muuuito bem.. fora as fotos maravilhosas.Parabéens!! Esse texto de hj me fez pensar, acho que tbm sou assim! rs beijão;*

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  3. E eu que pensava ser louca por ‘mirabolar’ a vida das pessoas desconhecidas! É olhar pra pessoa e imaginar TUDO. Se é casada, se é feliz, se sofreu na infância, se tem algum trauma, do que tem medo, do que gosta e do que não gosta. No dia que você resolver escrever sobre isso (se escrever), por favor, me convida pra fazer pelo menos um capítulo! Haha. Beeijos Césinha :*

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  4. Eu admiro muito seu trabalho! Eu amo fotografia, sonho em ser
    fotografa profissional, e você me dá inspiração, você é muito bom mesmo! Alêm de ser fã do nx0 acompanho seu trabalho a um tempinho já! Seu blog tbm é o maximo a historia da senhora se atrapalhando pra atende o celular, junto com sua filha, rs. As vezes me pego observando o mundo e é interessante… PARABENS viu César! Eu te vi no show em vinhedo, festa da uva *-* e as fotos que você tirou ficou demaais! beijoos e sucesso sempre pra tí!

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  5. Oi pesquisando coisas sobre fotográfos na net foi que te encontrei, e ficando enteressados em suas fotos fui mais a fundo, caindo assim eu seu blog.
    Sou estudante de Engenharia do Petróleo, estou me interessando am fotográfia agora, é mais um robe que quero ter na minha vida.
    achei interessante tudo o que escreveu aqui, tu tens uma mente brilhante.
    São poucas asa pessoas desse estilo de vida, hoje em dia vejo muito pouco isso, tanto pessoas formadas ou não.
    tu tens uma percepição diferente, gosta do que faz e busca compreender e ampliar seus conhecimentos parabens guri..
    deixo aqui meu twitter http://twitter.com/killrj2
    e meu formspring-me http://www.formspring.me/killrj2

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  6. Também tenho essa mania, se alguém chamar minha atenção na rua eu começo a repara – lá e penso como é a vida dela com a família, amigos, com o cachorro, se o casamento ta bom ou não e por ai vai. Principalmente em um lugar que está cheia de pessoas que não conheço, começo a reparar se alguém ali conhece alguém mas estão se evitando… Mas se estou em um lugar aonde só tem gente que conheço começo a intentar pessoas e personalidades, e quando vou ver, estou falando sozinha e fazendo gestos com as mãos e algumas pessoas olhando para mim. ;s
    De uma certa forma é normal, por que muitas pessoas tem essa mania, mas se é normal mesmo, por que quando fazemos isso as pessoas ficam nos olhando torto?

    Cesinha te admiro muito
    Beijos

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