Uma foto, uma capa e muita história pra contar

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Quando a gente ouve falar que a vida dá voltas, a gente nunca imagina que ela realmente vai dar tantas, né? Claro que em alguns casos ela até para de girar, mas em outros as coisas chegam num ponto em que você jamais imaginaria que fosse chegar.

A minha história com o Charlie Brown Jr. / Chorão foi uma dessas que eu jamais imaginaria que iria terminar como terminou.

Tudo começou no ano de 1997 quando eu, no auge dos meus 17 anos (morando em São José dos Campos/SP), me deparo com um clipe na MTV de uma banda chamada Charlie Brown Jr. A música que tocava? “O Coro Vai Comê!”. Nessa época eu andava de skate todos os dias, ouvia música sem parar… A safra de bandas nacionais de rock até que era bem boa – já rolava o Planet Hemp, os Raimundos – e ver mais uma banda realmente interessante surgindo e colocando o skate na roda era muito bem-vindo. Impressionou.

Dias depois já tentei saber mais sobre a banda, mas digamos que em 1997 a internet era muito devagar, então só sobravam as revistas especializadas e lojas que vendiam CD. As lojas de São José dos Campos nem imaginavam que existiam uma banda chamada Charlie Brown Jr. Cheguei a entrar em várias para pedir o CD e em algumas até riram da minha cara – talvez o nome soasse estranho demais mesmo.

Enfim… o som começou a rolar na 89FM (A Rádio Rock de SP) também e nada do CD chegar pela minha cidade. Tudo o que eu consegui fazer foi gravar o clipe na MTV em VHS e ficar assistindo sempre que dava. Uma outra maneira que encontrei foi ligar o rádio no meu computador e quando tocou a música na 89FM eu gravei com o gravador do windows e pronto, lá estava eu com um arquivo WAVE pirata mas que sustentava a vontade de ouvir a música quando tinha vontade.

As semanas foram passando e nada de conseguir o CD, até que meu primo estava indo pra São Paulo visitar a família e eu pedi pra ele dar uma procurada no CD. Para a minha alegria, um dia depois estava ele de volta e com a encomenda em mãos. Aleluia!

Sendo sincero, não gostei do CD logo de cara. A preferida era “O Coro Vai Comê!” e só. Com o tempo fui me acostumando e entendendo melhor aquilo tudo. Um tempo depois já estava com todas as músicas decoradas e era o CD que não saía do repeat no discman (Vale lembrar que estamos no ano de 1997, um ano sem internet bem propagada e/ou rápida, um outro mundo bem diferente dos dias de hoje. Um ano em que o discman existia, comia pilhas adoidado e para chegar qualquer informação sobre algum acontecimento, demorava (a não ser que fosse pela TV ou rádio).

Alguns meses se passaram e todos os amigos já estavam gostando também, já conheciam melhor a banda – depois também de algumas boas aparições na MTV e afins. E eis que surge um show numa cidade vizinha (Taubaté/SP) da tour do “Transpiração Contínua e Prolongada”… era a primeira oportunidade para ver aquilo de perto e ao vivo. Lembro que fui com meu irmão e uns amigos nossos.

O show foi muito bom, lembro de estar bem na frente do palco – e naquela época eu era bem retardado diga-se de passagem. Retardado no sentido de sem noção. Moleque magrelo, cabelo descolorido, camiseta 9 números maior que o tamanho certo, calça idem e afins. Quem viveu essa época sabe como era a vestimenta de uma pessoa que andava de skate haha.

Enfim… no fim do show, com a palheta do Thiago em mãos e tudo mais, não sei porque cargas d’água a gente foi pra porta ali de onde tinha o acesso pro camarim… e não sei também porque e nem como a gente conseguiu entrar. Lembro que era eu, meu irmão e mais uns 3 ou 4 amigos.

Dentro do camarim foi o primeiro contato com a banda… Lembro que o Chorão que nos recebeu, cumprimentou como se já fôssemos amigos de longa data. Todos da banda foram muito atenciosos, ofereceram o que tinha no camarim e pediram pra gente ficar por lá “à vontade”. A entrada de fãs ia se revezando mas em nenhum momento alguém pediu pra gente sair… Não sei o que levou eles a deixarem a gente “fixo” por lá trocando ideia. Eu estava sentado num sofá do lado do Chorão, os fãs entrando e saindo e pedindo autógrafo e tudo mais, chegaram até a pedir pra mim (aquele tipo de fã que nem sabe quem é da banda e quem não é)… Olhei pro Chorão e ele só com o gestos sinalizou para que eu assinasse. Assinei, agradeci e fiz o papel de “membro da banda”. Ele riu, obviamente.

Ficamos por lá o tempo todo, até acabar todo o atendimento e a gente ter que sair também – mesmo porque estávamos em outra cidade e tínhamos que voltar pra nossa. Despedidas, agradecimentos e saí de lá com a alma lavada e com a melhor impressão possível daquela banda de Santos.

Os anos se passaram, os discos foram vindo e fui gostando bastante de tudo o que eu ouvia. A partir do quarto disco dei uma desencanada e não escutava mais com tanta frequência. Escutava os antigos, mas não me importava muito com os mais recentes.

Dez anos se passaram (2007/2008) e eu já estava na estrada trabalhando com o NXZERO, e por isso, acabei encontrando várias vezes o Charlie Brown Jr. em festivais, aeroportos, aviões e afins… Assisti alguns shows do palco mas nunca fui lá trocar ideia e encher o saco. Para mim o lance já tinha acontecido, não precisava mais ficar ali falando groselha. Respeitava a banda e admirava a forma como o Chorão conseguia conduzir o público. Alguns (vários) shows eles entravam e ninguém se mexia… e três ou quatro músicas depois o cara já estava com todo mundo na mão, todos pulando e participando como se fizessem parte da banda. Era realmente um frontman de verdade.

Foram algumas vezes observando isso acontecer. De lá pra cá rolou muita polêmica também envolvendo a banda, trocas de formação, enfim, o som inclusive já não era muito o que eu escutava – apesar de gostar.

Chegamos no ano de 2010, o Charlie Brown Jr. com seu recém lançado CD “Camisa 10 (Joga bola até na chuva)” me impressionou. Havia tempos que não ouvia um disco deles e achava bom do início ao fim… e esse foi um deles. Lembro que nesse ano o NXZERO estava gravando o disco “Projeto Paralelo” e eu estava documentando toda a gravação dele para um possível DVD. Acompanhei o processo todo, diariamente. Todas as participações e tudo mais. Morava praticamente o dia todo dentro do estúdio captando imagens, depoimentos e tudo o que acontecia.

Houve um momento em que o nome do Chorão foi citado para participar de uma das músicas… e pelo o que eu me lembro estava já tudo acertado. Ele escolheu “Cedo ou Tarde”, talvez pela identificação com a perda do pai – creio eu que isso foi algo que ele nunca conseguiu superar. Para mim seria um momento especial poder gravar o cara ali – e relembrar coisas de 13 anos atrás.

Chegou o dia dele colocar as vozes na música, mas o cara não apareceu. Ficou para o dia seguinte. Lá estava eu novamente e ele não apareceu de novo. Lembro que a data final era no outro dia e, se ele não aparecesse, não ia rolar mais o Chorão na música… e eis que aos 45 do segundo tempo o cara aparece lá no estúdio… pedindo desculpas, falando que tava enrolado com coisas de um próximo filme e tal (será?).

A intimidade que ele já tinha com o Rick Bonadio e com o NXZERO era grande, pois querendo ou não, ele acompanhou a banda crescendo e tudo mais. Era nítida a vontade dele participar daquele projeto e estar ali sem fazer nenhum esforço (ele mesmo deu esse depoimento em um dos takes que tenho – e que se não me engano estão no DVD Projeto Paralelo do NXZERO). Estar ali ao lado do cara dentro do aquário do estúdio, registrando todas as vozes já foi algo bem louco de pensar. Lembrar que há 13 anos eu tava vendo aquele cara em clipe e eu me interessando pela banda dele… e agora to eu ali dividindo a mesma sala, registrando o cara gravando e enfim… o mundo deu uma baita volta.

As gravações foram feitas, uma entrevista também e muita conversa foi trocada nesse dia. Depois de tudo pronto, o cara ainda ficou lá, falando de tudo… da vida, dos perrengues, dos problemas causados… dando toque disso, daquilo e de tudo um pouco. Realmente o cara tava ali apenas porque queria, porque tudo já tinha sido feito e se ele quisesse ter ido embora, estaria ok.

No meio desse emaranhado de coisas, aconteceu o clique dessa foto que sem querer foi parar na capa da Rolling Stone #79 (Ah! se eu soubesse que um dia ela poderia virar uma capa). Lembro que foram apenas dois cliques, duas poses e nada mais. Lidar com o Chorão não era uma coisa fácil de se fazer, então quanto menos eu enchesse o saco, melhor. No fim da entrevista expliquei que precisava de uma foto dele meio que de frente para poder mandar pro cara “desenhar” o rosto dele para o encarte do disco/dvd e etc. Lembro que ele reclamou com algo do tipo “sou ruim de foto, não saio bem em nenhuma” ou coisa que o valha. Já vi na hora que se o cara não gostava, era melhor não exagerar. Encaminhei ele pro lugar em que eu fiz todas as outras fotos desse projeto, arrumei a luz, expliquei em 10 segundos o que eu queriam, como seria e pronto. Foram dois cliques e duas poses. Uma é essa que vocês já viram tanto no CD/DVD quanto na capa da revista… a outra é inédita e vai continuar sendo, pelo visto.

Me lembro de ter chegado em casa e parado pra pensar em tudo o que tinha rolado naquele dia… que nesses 13 últimos anos a minha vida tinha dado uma volta das grandes. Eu tava ali tirando foto de gente que sempre ouvi e vi… foi Rappin’Hood, Xis, Gabriel O Pensador, Chorão, P.M.C… foi uma sensação louca e bem complexa de descrever.

Alguns amigos mais próximos se lembram dessa minha divagação, pois cheguei a compartilhar o que estava rolando com um ou outro… mas ok, passou. Alguns outros bons anos se foram e tudo continuou como era antes… só que de lá pra cá eu comecei a gostar novamente das coisas que o Charlie Brown Jr. estava lançando. Céu Azul, quando escutei, foi repeat pra sempre. Não sei quantas vezes ouvi essa música até hoje, mas ela é uma música muito forte pra mim. Talvez eu não consiga explicar isso aqui, talvez eu nem deva… mas enfim… continuamos com o relato.

No dia 6 de março sou acordado pela minha namorada, e em um ou dois  minutos depois que abri os olhos, ela me lança a notícia de que o Chorão tinha morrido. Obviamente não entendi e perguntei “Como assim?”. Depois de ter percebido que aquilo não era uma brincadeira de mau gosto, entrei razoalvemente em um estado estranho de “choque”. Não sentia algo assim desde seilá… Mamonas Assassinas? Algo assim. Foi estranho, foi bizarro, foi difícil de engolir.

Eu não era o melhor amigo do cara, ele nunca foi um puta exemplo de vida pra mim e nem nada, mas eu realmente me identificava com o som dele, com muitas coisas que ele dizia e ou até mesmo fazia… e porra, perder um cara desse nessa época em que o rock nacional tá mais carente que seilá-o-quê foi de foder. Foi uma sensação ímpar, um filme rolou na minha cabeça nesse momento… me lembrei de tudo isso que estou escrevendo aqui… da vez que vi pela primeira vez o clipe, como foi o perrengue pra conseguir o primeiro disco, o lance do primeiro show, enfim, tudo… até chegar nesse dia em que consegui fazer um retrato do rosto dele e, por incrível que pareça, todas as vezes que eu via o nome dele ou alguém o citava pra mim, a imagem que eu tinha dele era dessa foto.

Minutos depois comecei a me deparar com muitas fotos dele em todos os perfis de Instagram que sigo, todos amigos no twitter comentando sobre o acontecido, fotos e mais fotos pelo Facebook. Foi um dia improdutivo pra mim, não consegui trabalhar, não consegui atender o telefone (a não ser dos amigos mais próximos) e nem nada. Não sei descrever o que houve, não sou de me abalar assim, mas algo existia no ar.

Por um pedido pessoal de pessoas próximas, fui resgatar esse material em algum HD estocado aqui em casa. Procurei, procurei e obviamente estava no único HD que não funcionava no meu computador. Consegui dar um jeito e acessei os dados dele em outro e estava tudo lá. Achei essas fotos, alguns vídeos e até uma outra foto em que o mesmo se encontrava com a cabeça baixa debruçado sobre o braço estampado com  a tatuagem “Marginal Alado”. Talvez essa foto não tivesse tido tanto sentido até esse dia… e foi ela a primeira que eu abri – foi outra porrada no estômago.

Depois de muito tentar refletir sobre tudo, tentei escrever algumas palavras sobre o fato no meu Facebook, e a foto que estava ilustrando isso tudo não poderia ser outra a não ser aquela que já estava divulgada no meu site: a mesma que foi usada como base para o desenho do CD/DVD Projeto Paralelo.

Resolvi que as fotos inéditas que eu tinha, eu iria preservar. Não achei que fosse uma coisa legal divulgar algo inédito só porque o cara morreu. Achei que não cabia.

Feita a homenagem, fui tentando engolir essa história toda aos poucos.

Todos os dias eu pensava nessas fotos… umas cenas acabaram passando no Altas Horas quando o NXZERO foi e fez uma homenagem ao Chorão… outras quase foram parar no Fantástico, mas por algum motivo que desconheço, não foram.

Algum tempo depois recebo um e-mail da Rolling Stone dizendo que tinham visto esse meu retrato dele e que gostariam de tê-lo para compor a capa da próxima edição da revista… e aí pensei comigo: “Eita, mal tive foto publicada na revista e já vou parar com uma na capa? Porra, Chorão!“.

Tentei que fosse alguma inédita, mas no fim das contas acabou sendo a já “conhecida” foto. Talvez o momento não seja feliz e, se eu pudesse escolher em não ter a foto da capa e ter o cara vivo, eu escolheria isso sem dúvida nenhuma… mas como na vida a gente não manda muito e alguma foto teria que estar estampando a capa da revista, fiquei lisonjeado por ter sido uma minha. Sei o valor que a foto tem pra mim, sei que tive que fazê-la em apenas um clique e sei que se ela não estivesse “dizendo” algo, ela não seria escolhida para isso.

Agora eu paro novamente pra pensar em tudo o que aconteceu nos últimos 16 anos… de 1997 até 2013 e vejo que o mundo não deu só uma volta, deu várias. As perguntas geralmente são essas: Você acha que em 1997 eu imaginaria que aquele cara iria morrer de overdose? Que eu ia conhecê-lo algum dia? Que um dia eu iria virar fotógrafo e tirar uma foto do cara? Que eu iria fazer uma entrevista com ele e documentar tudo para um DVD? Que um dia a Rolling Stone ia ter uma edição nacional e que eu teria uma foto que fiz na capa… e além do mais, daquele cara daquela banda que eu gostava?

Talvez isso não soe tão bizarro pra você que lê, talvez eu não consiga realmente expressar qual é a sensação dessa volta toda, mas uma coisa eu tenho quase certeza em afirmar: as coisas acontecem quando tem que acontecer… seja onde for e como for. As vezes eu tenho a certeza de que aquele primeiro encontro que parecia ser o nonagésimo de bons amigos já dizia tudo isso… mas nós como seres humanos meros mortais não conseguimos enxergar isso de maneira nítida… precisamos de bons anos e muitos fatos pra que tudo faça um sentido.

Seja lá onde quer que o cara esteja, sei que ele acompanhou tudo isso de perto… e de uma maneira ou outra viu tudo isso acontecer.

O que tudo isso me ensinou? Me ensinou que qualquer que seja o clique que você for dar… importante ou não, pra uma capa ou não, de alguém importante ou não… faça como se fosse o teu último clique – e execute da melhor maneira possível no momento. Essa foto um dia pode valer muito mais (sentimentalmente falando) do que você imagina.

A minha tá ali, enquadrada e pendurada numa parede da minha sala, marcando um ponto da minha vida que jamais vou esquecer.

Só existe o agora

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Quantas vezes ainda eu vou ter que achar que fiz uma foto errada, dei um passo pro lado contrário, não concluí uma ideia do jeito certo, não me esforcei o quanto deveria para conseguir chegar onde queria, não consegui passar o que realmente eu sentia…
Quantas vezes eu ainda vou achar que não ta bom, que os meios estão errados, que os valores estão trocados, que nem tudo que se faz com o coração tem repercussão. Quantas vezes ainda vou ter tantas perguntas sem respostas e tantas dúvidas sem saber realmente quais seriam as respostas certas – mesmo porque pra cada pergunta a resposta certa é apenas imediata, porque um dia depois, ela já pode ter mudado. 

Na atual situação do mundo é bem isso… um passo hoje não significa um passo amanhã. Um click, uma página, um segundo, um compartilhamento, um tweet, é tanta informação que nem sempre aquilo que faz sentido agora, 2 horas depois continuará fazendo. O imediatismo tomou conta de uma forma que é muito difícil saber lidar com ele ainda… quem sabe com o tempo isso mude.

As perguntas são muitas, as dúvidas também… mas de uma coisa eu sei que nada e nem ninguém pode tirar de mim, que é a minha forma de ver, expressar, interpretar e sentir. Se fosse pra comparar como as coisas eram quando eu tinha 10 anos pra como as coisas são agora com quase 33, eu iria ver que a diferença é brutal… mas como você que tem 20 não iria entender, o que tem 60 também não… então não iria adiantar em nada. As gerações existem e quase nunca se conversam/entendem… mas sempre tem um ponto de interseção. A busca sempre vai ser chegar até ele.

Eu não sei fazer outra coisa a não ser enxergar e tentar traduzir olhares em imagens. Eu não tenho prazer em fazer mais nenhuma outra coisa a não ser trabalhar com isso e produzir isso. Então a única coisa que eu posso fazer – e ter certeza – é de que por mais que o tempo passe, as coisas mudem e o mundo mude, eu vou continuar fazendo aquilo que eu acho que sei fazer melhor… mesmo sabendo que pra chegar no melhor, tem muito chão pra percorrer. 

A vontade e o amor vão sempre vencer qualquer dúvida e qualquer perrengue que a vida possa gerar. Atravessar décadas fazendo um trabalho é ter que se transformar a cada dia.

Hoje eu escrevo isso daqui, amanhã tudo já mudou.

Uma arte dentro de casa

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Se tem uma coisa que me deixa feliz é poder trocar “figurinha” com pessoas que admiro. 
Existe aquela famosa frase: “em casa de ferreiro, o espeto é de pau” – e posso dizer que é quase isso mesmo. Trabalho com fotografia e na minha casa ainda não tem nenhuma foto que tirei pendurada na parede (ta, até tenho alguns quadros com fotos minhas, mas pendurado mesmo não tem nenhum – mas isso vai mudar). 

Enfim, me mudei faz poucos meses e na casa nova resolvi que isso seria diferente.
A primeira coisa que fiz foi uma proposta de um escambo para um amigo que desenha, no caso o grande Felipe Gasnier (vulgo Xilip). A proposta consistia numa troca de arte, na qual eu daria uma foto pra ele e ele faria um quadro pra mim… e para a minha felicidade, ele topou de imediato.
Nesse meio tempo entre cada um aprontar o trabalho para o outro, surgiu uma nova ideia na minha cabeça que era a de ceder uma parede que tinha na minha casa (e que desde a primeira vez que visitei o apartamento eu sabia que iria modificá-la) para ele poder desenhar o que quiser… e mais uma vez ele aceitou de primeira.
No mesmo dia em que combinamos a nossa troca de quadros, ele já veio preparado com suas tintas/canetas e ideias e fez tudo o que tinha direito e vontade nessa parede.

Não preciso dizer que o resultado foi sensacional e que pra mim foi (e ainda é) um prazer ter uma obra de arte dentro de casa, na minha parede, e de forma exclusiva.

Essa “bagunça” toda vocês podem conferir nesse vídeo que montei com quase todo o processo em andamento e tudo mais. Na real é um vídeo de mim pra mim mesmo, algo pra guardar de recordação – mas obviamente também serve para divulgar o trabalho de um cara que admiro bastante. Espero que gostem.

Acabou, mas já vem outro…

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Essa época é aquela em que todo mundo faz retrospectivas né… é o fechamento de um ciclo, de um ano.
Pra ser bem sincero eu nem ligo muito pra isso, mas acabo sempre cedendo e fazendo um balanço bem mais ou menos das coisas que me aconteceram.
Se eu pudesse resumir o ano em uma palavra, talvez essa palavra fosse “crescimento”. Na real é a palavra que deve constar em todos os anos da vida, creio que você sempre tem que crescer mais e mais, e só assim é que a vida vai fazer algum sentido.
Em 2012 eu alcancei muitas metas que eu tinha pra essa vida, e agradeço tanto a mim quanto às pessoas que estiveram comigo ao meu lado me dando forças seja com palavras ou com a mão na massa mesmo.
Nunca vou saber exatamente quais os trabalhos que fiz e tudo mais (sou o mais perdido nas datas e tudo mais), mas sei que rolaram alguns dvd’s, clipes, fotos e muito material pra internet. Foi um ano que fiz um pouco de tudo… fui do pagode ao funk, do axé ao rock, do underground ao extremo mainstream… ponto pra mim.
Continuei não saindo do Brasil, digo como pessoa física né, porque o trabalho saiu e foi parar nos EUA, mas isso uma hora vai mudar… em breve (assim espero).

Já na vida pessoal, as coisas fluíram da melhor maneira possível e não tenho nem do que reclamar, muito pelo contrário. Não sou de falar muito da vida pessoal mais, mas quem me conhece sabe o que mudou – e como mudou. Ponto pra ela!

Enfim… o que eu desejo é que a força continue, a saúde permaneça e que os projetos andem como nunca andaram. Sei que ficar parado não é a solução, e nem nunca foi… então, vamos lá, mais um ano correndo atrás dos sonhos. Ainda tenho um bem importante que não alcancei, e quem sabe esse ano eu consiga dar mais um passo até ele, né não? Desistir eu não vou.

Obrigado a todos que de vez em quando aparecem por aqui e ficam lendo essas palavras digitadas por alguém que sonha muito. Obrigado pelos comentários, pelos incentivos e por qualquer outro gesto de força que tenham feito. Ano que vem continuamos a vida e bola pra frente!

Um feliz ano novo pra vocês e que consigam correr e alcançar todos os sonhos.

Beijos e abraços.

Fora do lugar

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Já foi o tempo em que a gente podia em um blog colocar toda a opinião do mundo. Relatar fatos como diários e tudo mais. A “audiência” era bem restrita, as pessoas geralmente todas amigas e enfim… era talvez algo mais saudável.
Hoje em dia você ainda pode tudo isso, mas com certeza será julgado por esse ou por aquele, vai ter outros que vão copiar teu texto e publicá-los como se fossem eles os donos, o teu controle de quem tem acesso é meio que perdido e enfim, é um tiro no escuro – literalmente.
Ainda não consegui ter uma ideia melhor se isso tudo é bom ou ruim, mas tenho que admitir que eu mesmo não consigo mais escrever sobre tudo aquilo que um dia eu conseguia. Talvez eu não queira realmente me expor… talvez eu prefira colocar o meu trabalho na frente da minha opinião pessoal sobre cada fato… mas, de fato, seria muito interessante um dia poder contar tudo o que eu passo por essa vida.

Faz um tempo que comprei um caderno, e nesse caderno anoto algumas coisas sobre o meu dia a dia… (mais da vida profissional do que pessoal). Quem sabe um dia esse caderno me inspire em alguma coisa (mas vale lembrar que eu ainda não escrevi uma palavra nele, estão todas na cabeça esperando serem esquecidas). Tem coisas que seriam realmente sensacionais poder compartilhar – mas creio que não em um site na internet.
Hoje penso que escrever um livro, por mais que a distribuição seja nacional, talvez o alcance seja menor do que publicar o texto em um blog… e por incrível que pareça, isso acaba se tornando algo muito mais pessoal.
Pela minha ideia, se hoje eu lançar um livro e divulgar nas mídias sociais, muita gente vai saber da existência, mas 3 ou 4 é que vão de fato comprar e LER (comprar é uma coisa, comprar e ler é outra). Já se eu divulgo uma página com um texto, 100 ou 200 clicam e vão ler – talvez por não terem o que fazer. Enfim, é meio bizarro.
Antigamente você ter um livro publicado, ter uma matéria numa revista, era algo máximo do máximo… hoje a internet consegue cobrir bastante essa façanha (em questão de números). Talvez precise de um estudo maior analisando que as áreas atingidas sejam diferentes… ou seja, se eu divulgar meu blog, os acessos vão ser sempre das mesmas pessoas – raros alguns. Já se publicar um livro, posso contar com a sorte de atingir pessoas curiosas que viram a capa e se interessaram pelo conteúdo… pessoas que jamais iriam procurar meu nome na internet (mesmo porque nem sabem da minha existência).

Chegamos numa era em que muitos prezam somente pela quantidade… e poucos pensam no bom e velho ditado: “quantidade não é qualidade”.
Convivo com esses números diariamente, seja pelos acessos ao meu site, pelos seguidores do twitter, pelos números de curtições na minha fanpage, pelos números de assinantes do meu perfil no facebook, seguidores no instagram e etc… Chega a ser vergonhoso me deparar com alguns números altos, mas enxergar que nem 5% é de gente que realmente está interessado no que você faz e fala. Mas aí vem a pergunta: E os outros 95%, estão ali por quê? Boa pergunta… eu não faço a menor ideia!
São pessoas que estão ali por estar, por curiosidade apenas ou simplesmente pra tentar tirar alguma informação pra si própria… mas ela não está interessada realmente em você, mas sim em algum conteúdo que ela tem interesse e que sabe que você pode prover.
A cada passo tudo fica mais impessoal. A foto na rede social de fotos instantâneas não interessa, o que interessa é o aplicativo que você usou para captá-la. O teu material produzido com carinho e esforço não interessa, mas sim aquela piada infame que você digitou por estar num momento de ócio. Aquele projeto que precisa de ajuda pra se tornar algo maior ninguém quer passar pra frente, mas aquela mentira de que o mundo vai acabar se prolifera a cada segundo… (e nem só essa mentira, mas umas outras mais ridículas ainda).

Ao meu ver está tudo ficando cada vez mais louco. A velocidade da informação ao invés de melhorar tudo, só piorou quase que tudo. Na real ela é muito útil, mas me parece que ninguém soube lidar com ela, fazendo assim, mal uso da ferramenta. O mundo fica ao mesmo tempo mais rápido e mais dependente… vulgo com mais informação mas ao mesmo tempo mais burro.
As datas não são mais decoradas, muito menos os telefones. Tudo é baseado em sites de busca e aparelhos digitais, fazendo assim com que a gente não trabalhe mais a própria cabeça pro nosso bem. Imagino eu se um dia toda a informação da rede de internet suma, onde vai parar a mentalidade de metade da população?
Vale lembrar que em nenhum momento me excluo disso tudo que estou escrevendo. Obviamente que entro em vários critérios (como o de não querer decorar mais nada e sempre querer ser um escravo do google)… mas… tento me policiar a cada dia – pelo menos um pouco.

É tanta informação, mas tanta, que eu mesmo comecei a escrever esse texto querendo uma coisa e estou terminando em outra… mas ta tudo certo, assim ele vai ficar.
Conclusão ele não vai ter… e por isso vou deixar ele aqui, largado nesse blog.
Deixo ele aqui porque aqui nada tem pé nem cabeça… e um texto desse não valeria a pena entrar em um livro (quer dizer, levando em consideração com a qualidade de alguns livros lançados ultimamente… quem sabe haha).

Esse é apenas um registro de alguém que pensa, se expressa mas não consegue mudar nem meia dúzia de outras pessoas. Mas se por algum acaso você for uma dessas meia dúzia de pessoas e começar a se policiar também de alguns atos babacas de autossabotagem, quem sabe a vida fique melhor pra você também.

Sou a favor sempre de compartilhar as coisas boas, de incentivar projetos de amigos, ajudar quando for possível, divulgar o que acho interessante… e simplesmente ignorar esse monte de bosta que divulgam como sendo “entretenimento” de internet. Tanta coisa boa sendo feita e produzida por aí (inclusive NO BRASIL)… de música a fotografia, de livros a videos, filmes e etc… e meio mundo aí compartilhando line up fake de festival, hoax de internet e outras baboseiras mais (enquanto que em apenas 1 clique do outro lado da história, teria acesso a mil coisas mais interessantes.) Na real as vezes até tem acesso, mas não passa pra frente porque pensa que os outros amigos vão achá-lo babaca demais.

Meio que “parafraseando” um canal de TV que se perdeu nesse caminho aí, termino essas linhas dizendo: “Saia desse blog e vá atrás de conteúdo bom – e compartilhe”. Obrigado.

“Ao mestre com carinho”

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Ontem o centenário Niemeyer se foi. Sei que muitos se sentiram íntimos depois do falecimento e começaram a falar como se soubessem tudo da vida do cara, como se sempre tivessem acompanhado seu trabalho – ou de fato conhecesse bem sua história. Enfim, mas não é disso que quero falar… mas sim o quanto o cara me ajudou indiretamente nesse mundo da fotografia.

Não lembro como conheci o trabalho dele, talvez tenha sido na escola estudando sobre Brasília, talvez não… mas de fato suas obras sempre me intrigaram muito, sempre me deixaram meio perplexo pensando em como aquilo poderia sair da cabeça de alguém… e ao mesmo tempo eu me perguntava (e ainda pergunto): como é que só ele faz isso? ninguém mais consegue fazer? Não sei dar a resposta direito… talvez o francês Le Corbusier tenha sido sua grande influência, mas querendo ou não, creio que o vovô Oscar tinha traços mais impactantes – mas esse é só o meu ponto de vista e opinião, sem fundamento técnico nenhum.

Quem me conhece mais um pouco sabe que sempre fui fã de simetria, de curvas e linhas… e alguns mais próximos sabem bem que eu era um admirador nato das obras do mesmo. 
Sempre achei Brasília a cidade mais fotogênica de todas, sempre me perdi naquelas formas em todas as vezes que visitei a capital. O museu do “olho” em Curitiba foi durante 3 anos da minha vida o meu “quintal”. Eu ia lá quase toda semana e me deleitava em fotos e mais fotos… minha intenção era sempre o exercício de tirar uma foto diferente toda vez que eu fosse lá. Praticamente um treinamento intensivo de composição.
Todas as obras dele que conheço (mas não pessoalmente) estão na lista de “preciso visitar” – claro que deve ter muitas outras que nem sei que são dele, mesmo porque nunca fui um profundo conhecedor de arquitetura, mas sim um profundo admirador do que já vi por aí. 
O Copan é uma paixão platônica, aliás, mais uma vez, de todas as vezes que fui até o prédio, tentei retratá-lo de forma diferente. Até hoje ainda não consegui entrar em apartamentos e poder explorar alguns outros ângulos, mas visto de baixo, já fiz alguns bons retratos… inclusive, tenho uma dessas fotos enquadradas e esperando uma parede para habitar (ps: hoje na minha casa nenhum quadro ainda está pendurado… estão todos esperando sua vez. ps2: me mudei faz pouco tempo).
Aliás, antes de ontem mesmo realizei um sonho em fotografar uma banda no memorial da américa latina – outro complexo de obras do Niemeyer. Sempre tive essa vontade e nunca tinha conseguido… e logo quando consegui, no dia seguinte, o pai de tudo se foi. Coincidência ou não, só o cara lá de cima é que vai poder dizer – mas to sem o telefone dele no momento pra perguntar.

Enfim… o que eu queria deixar registrado aqui é que mesmo não sabendo da vida toda do grande Oscar, serei eternamente grato às suas linhas, formas e equilíbrios. Com certeza me ajudou (e vai me ajudar muito ainda) nessa vida fotográfica. Já treinei muito meu olhar perante suas obras e tenho certeza que elas ainda são capazes de me evoluirem muito mais. 
Não sei se um dia irei cansar de fotografá-los, tenho quase certeza que não, mas desde já queria deixar registrado o meu obrigado e meus parabéns por tudo que foi capaz de fazer. Tenho certeza que indiretamente ele ajudou muita gente a se desenvolver em suas artes/dons… mesmo porque acredito que essa história não seja só minha, mas sim de muitos outros fotógrafos, estudantes de arquitetura, engenheiros civis, decoradores, outros artistas e etc. 

A genialidade de um sempre será um combustível para o desenvolvimento de muitos outros… e com toda a certeza tem muito desse gás aqui dentro de mim.

Obrigado.

Cor sim, cor não

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Às vezes me pergunto o por que gosto tanto do preto e branco. Acredito que esse tipo de indagação não sirva só pra mim mas pra uma grande quantidade de gente… de amantes da fotografia à fotógrafos renomados e tudo mais.

Talvez eu não tenha uma resposta realmente concreta sobre isso – e acho que nunca vou ter – mas tenho a impressão de que tudo no preto e branco fica mais sincero/verdadeiro e consequentemente atrai mais.
No preto e branco eu vejo tudo como uma coisa só, e nessa coisa só, enxergo as nuances, os tons, o desenho muito mais torneado do que se fosse em cor. Não digo que não gosto do colorido, muito pelo contrário, mas não sei dizer o porque que às vezes o preto e branco me traz muito mais sentimento do que qualquer outra maneira. 
Talvez as fotos em cores tenham muitas cores e façam meu cérebro se distrair daquilo tudo, ou quem sabe seja porque enxergo diariamente as coisas todas coloridas, e quando vejo as mesmas coisas em preto e branco, acho diferente. 
Creio que nunca vou chegar num ponto sensato e numa verdade concreta… mas independente disso, sei que pra mim ele funciona sempre. Gosto da textura, gosto do que me passa, gosto de saber exatamente o desenho que a luz faz.

Não é por causa disso também que sou monocromático ou que não gosto de cor… acho que tudo tem um motivo, um sentido e um “onde você quer chegar”. Há fotos que faço que não tem como serem preto e brancas, assim como há fotos que se não forem em PB, nunca conseguiriam transmitir aquilo que eu queria dizer. 
Reza a lenda que isso vem de “fase” também… mas não sei. E se for, ta parecendo que cada vez mais essa tal “fase” demora a passar por mim. Me vejo no dia em que metade do meu material será cor sim, cor não. 

De colorido já basta essa vida toda através dos olhos, não? Talvez não. Quem sabe…